quarta-feira , 20 setembro 2017
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As ameaças ao domínio Português

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As ameaças ao domínio Português

As ameacas ao dominio PortuguesA partir do século XVI, a disputa por colônias passou a ser mais um fator nas rivalidades e guerras dos países europeus. Confrontos entre nações européias travaram-se em várias partes da América, África e Ásia, marcando a história do Brasil dos dois primeiros séculos.

Franceses no Rio de Janeiro

Nos primeiros anos logo depois da descoberta, a presença de piratas e comerciantes franceses no litoral brasileiro foi constante. Decidia-se naquele momento se o Brasil seria francês ou português.

Das incursões iniciais em busca do pau-brasil, os franceses evoluíram para a tentativa de implantar uma colônia no Rio de Janeiro. Projeto neste sentido foi pensado pelo vice-almirante Nicolau Durand de Villegagnon e apresentado ao almirante Coligny, conselheiro do rei francês Henrique 11. Contando com algum apoio do poder real, Villegagnon recrutou, para a empresa, uma série de condenados por crimes de direito comum, conseguindo também a adesão de inúmeros calvinistas desejosos de fugir às perseguições religiosas que, na segunda metade do século XVI, levaram a França às guerras de religião.

A criação da França Antártica

Uma primeira expedição, comandada por Villegagnon, chegou à Baía de Guanabara em novembro de 1555, ali construindo o Forte Coligny. Dois anos depois, o núcleo inicial era fortalecido pela chegada de novos contingentes de colonos e pela aliança dos franceses com os índios tamoios. Graves problemas surgiram com o desencadeamento de violentas polêmicas entre católicos e calvinistas. Villegagnon procurou manter-se fora da disputa, mas terminou reprimindo violentamente os calvinistas, sendo por eles chamado o “Caim da América”. Ao mesmo tempo, foi acusado pelos católicos de querer fundar uma nova religião, sendo obrigado a retomar à França em 1559.

A divisão e o enfraquecimento dos franceses facilitou a reação dos colonos portugueses que, comandados pelo governador-geral Mem de Sá, atacaram a França Antártica em 1560. Derrotados, os franceses fugiram para a floresta, refugiando-se entre os índios, e assim que os portugueses partiram começaram a voltar.

Um novo ataque português iniciou-se em 1563 sob o comando de Estácio de Sá, contando com a ajuda da Capitania de São Vicente, organizada pelos jesuítas Anchieta e Nóbrega.
De grande importância foi também a ajuda dos índios temiminós, vindos do Espírito Santo sob o comando do. cacique Araribóia.
Em meio à luta, a primeiro de março de 1565, Estácio de Sá fundou o núcleo que daria origem à cidade do Rio de Janeiro. Tratava-se de um fortim para garantir a presença dos portugueses na região.

Recebendo reforços da Bahia o comandante português desencadeou um ataque definitivo contra os franceses e tamoio, que findou vitorioso em janeiro de 1567. Estácio de Sá, ferido em combate, morreu ao final da luta. Seu tio,Mem de Sá, mudou o núcleo de colonização recém-fundado para o Morro do Castelo, local de mais fácil defesa; concedeu sesmarias para povoar a região e criou um início de organização administrativa.

A união das coroas ibéricas

A Europa do Século XVI

A política européia a partir da década de 1520 foi profundamente alterada pela reforma protestante de um lado e pelas ambições expansionistas da família Habsburgo que, defensora do catolicismo, tinha a sua frente o imperador Carlos V, dominando o Santo Império Romano Germânico (Alemanha e Áustria), os Países Baixos (Bélgica e Holanda), partes da Itália e a Espanha. Em 1555, em meio a lutas religiosas na Alemanha, Carlos V renunciou ao império, dividindo-o entre seu irmão Fernando e Felipe lI, seu filho. Fernando ficou com o Santo Império e Felipe II com a Espanha, Países Baixos e partes da Itália.
O novo rei da Espanha, com o poder que lhe era dado pelas riquezas da América, foi o grande defensor do catolicismo da Contra-Reforma, ao mesmo tempo em que procurava expandir seus territórios. Durante o século XVI, através de múltiplas guerras, a monarquia espanhola procurou impor sua hegemonia * à Europa.

A crise da monarquia portuguesa

Em meados do século XVI, Portugal encontrava-se numa fase de acentuado declínio. A aventura das 1ndias Orientais esgotara os recursos financeiros e humanos da nação e rendia cada vez menos. O Brasil, onde a colonização mal se iniciava, pouco podia render à metrópole. A situação econômica deteriorada contribuiu para a perda da independência portuguesa a partir de uma grave crise política.
Com a morte de D. João III, o Colonizador, em 1557, iniciou-se um período de regência, após o qual reinou e governou o rei D. Sebastião.
O novo rei era um produto típico da fase de decadência que atravessava a nação, caracterizando-se por seus sonhos, cada vez menos. viáveis, de restaurar o período de glórias da expansão portuguesa. Cercado por uma nobreza decadente ávida de luxo, que misturava fanfarronices e espírito de cruzada, D. Sebastião tentou estabelecer um novo império no Norte da África. Tal tentativa terminou num grande desastre: em 1578, as forças portuguesas eram derrotadas pelos mouros na batalha de Alcácer-Quibir, aí desaparecendo o próprio rei.

Tratando das aventuras de D. Sebastião e da nobreza do reino o historiador Antônio Sérgio nos deu uma página memorável:

“… Este rapazola tresloucado foi convencido por alguns fanáticos a fazer-se paladino da fé católica, contra o protestante e o maometano. Por isso apercebeu uma armada que fosse em auxílio de Carlo IX, quando se preparou, com o cardeal Alexandrino, a matança de São Bartolomeu; e por isso se abalançou a conquistar Marrocos, contra o conselho sensato dos mais experimentados capitães. Reuniu em Lisboa um exército aparatoso, que acampou em tendas de seda, vestindo luxuosamente, bebendo, cantando, “fazendo desonestidades”. Chegado à África, cumulou erro sobre erro, com desespero dos capitães, que pensaram em prender o tonto. No dia da batalha, mandou que ninguém se mexesse sem ordem sua; mas esqueceu-se de dar a ordem. O exército inimigo, formado em crescente, envolveu a pequena hoste, e submergiu-a. Foi um desastre completo, que, sabido no reino, o aniquilou de espanto e dor.”

Em Portugal, D. Sebastião foi sucedido pelo cardeal D. Henrique, que morreu logo depois, deixando aberta uma violenta luta pelo poder. Eram candidatos ao trono D. Antônio, prior do Crato e o rei da Espanha Felipe II que, por parte de mãe, era neto de D. Manuel, o Venturoso. A disputa foi decidida por forças espanholas que invadiram Portugal e obtiveram sua maior vitória na Batalha de Alcântara, em agosto de 1580.
Mesmo vitorioso militarmente, Felipe II tratou de chegar a um acordo com os portugueses para ser aceito como rei. Reunidas as Cortes em 1581, o rei espanhol fez o “Juramento de Tomar”, pelo qual ficou estabelecida a união dos dois reinos. Portugal manteve uma certa independência em relação à Espanha: o português era mantido como língua oficial e todos os funcionários do reino lusitano e das colônias continuavam a ser português. No tocante às leis, uma certa mudança: as Ordenações Manuelinas foram reformuladas, dando lugar às Ordenações Filipinas.

A Espanha e os holandeses

Em 1581, no momento em que Portugal era anexado, a Holanda proclamava sua independência do Império Espanhol. Rebelados desde 1567 contra os altos impostos e o catolicismo inquisitorial de Felipe lI, os holandeses tiveram de sustentar longos anos de lutas para preservar sua liberdade face ao poderio espanhol. Visando prejudicá-los, Felipe II decretou o fechamento dos portos do Brasil e de Portugal aos navios e comerciantes flamengos. Os prejuízos dos holandeses foram muito grandes, uma vez que haviam financiado a produção do açúcar brasileiro, esperando distribuí-lo na Europa.

Ameaças ao Brasil

No final do século XVI, a Espanha estava em guerra com a Holanda e Inglaterra, além de envolver-se nas guerras de religião na França. Tal situação repercutiu em todo o mundo colonial e o Brasil sofreu vários ataques das nações inimigas dos espanhóis.
Em 1591, o inglês Cavendish saqueou o porto de Santos. O litoral do Nordeste foi assolado pelo francês Jacques Riffault. Os ataques de holandeses, franceses e ingleses tornavam-se constantes.

Franceses no Maranhão

O território do Maranhão continuava sem qualquer sinal de colonização branca, no início do século XVII, depois que tentativas de ocupação portuguesa fracassaram no século anterior. Tal situação estimulava incursões de piratas franceses, um dos quais, Charles des Vaux, retornou à França com a idéia de fazer do Maranhão uma colônia francesa, a chamada França Equinocial.
Com a ajuda de um nobre chamado Daniel de Ia Touche e da rainha regente Maria de Médicis, foi mandada ao Brasil uma expedição de. três navios cujos participantes fundaram a cidade de São Luís do Maranhão, em 1612.

O governo geral português reagiu prontamente à tentativa de implantação de novos colonizadores. Foram enviadas forças que derrotaram os franceses em inúmeros combates, expulsando-os em novembro de 1615, após a região ser ocupada.
Em 1621, o governo da metrópole decidiu criar o Estado do Maranhão, constituído pelas capitanias de Grão-Pará, Maranhão e Ceará. O Estado do Brasil seria formado apenas pelas demais capitanias. A separação deveu-se ao fato de que correntes marítimas tornavam mais rápidas as comunicações do Maranhão com a metrópole, do que com o Governo Geral da Bahia.

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Este artigo sobre As ameaças ao domínio Português, aborda alguns assuntos relacionados com História do Brasil, e foi atualizado em 2011-07-17
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